Existem raras exceções de filmes que, sua seqüência, superam os originais. É muito mais comum encontrar trilogias de sucesso, onde todos as película são extremante competentes, do que um número “2″ bem feito. O Corvo 2, Highlander 2, Poltergeist 2, são exemplos bem corriqueiros de que, certas histórias, deveriam não ter continuações.
Tive uma boa surpresa. Dizem que, em certas ocasiões, não estamos preparados para elas, mas quando surgem, é de muito bom grado. Fui à sala de cinema pensando e arquitetando o pior. Doce engano. O que vi foi uma ótima forma de fazer cinema. Mas antes de começar a enumerar os pontos positivos e negativos, falarei sobre o filme em si. A direção fica por conta de Andrew Adamson, e o roteiro foi escrito Andrew Adamson, Christopher Markus, Stephen McFeely. O enredo se desenrola em dois planos de tempo diferentes. Aqui na Terra, mais precisamente em Londres, passou-se 1 ano desde a última aventura dos irmãos Pevensie (O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa), e em Nárnia, o tempo se esvaiu em 1000 anos. Como último recurso, o príncipe Caspian (Ben Barnes), convoca os quatro reis do passado para ajudá-lo a retomar o seu poder de soberano, que foi “roubado” por seu tio Lorde Miraz (Sergio Castellito). Esse mil anos foram muito duros com seus moradores mágicos. Os anões, os Minotauros, as árvores e todos os outros ficaram reclusos aos confins da floresta, pela ação dos homens que visavam a dominação total e extinção de todos os seres mitológicos.
A chegada dos irmãos a Nárnia é uma cena muito bem rodada. Eles encontram as ruínas de seu tempo, e muitas indagações sobre o que teria acontecido transcorrem nas suas falas, deixando um “Q” de mistério no ar. A fotografia do filme é belíssima. Em cada tomada, um novo brilho é encontrado, e a beleza da região escolhida para as gravações fica muito evidente. O figurino, como no filme anterior, é muito rico em detalhes, e possui características próprias. Existe uma cena de batalha na qual os soldados de Lorde Miraz, estão usando máscaras, e, em cada uma delas, uma expressão é retratada, causando um efeito muito bacana de ser visto.
A história em si é melhor do que o primeiro filme. A trama prende muito mais e a ação é mais eficaz. Mesmo com seus 124 minutos, tirar os olhos da tela se torna um sacrifício. Temos uma sensação que não podemos perder um minuto sequer, pois a todo o momento, uma novidade estará em evidência. Os efeitos especiais estão muito bem definidos e construídos. Enchem os olhos e as expectativas e, posso dizer que os Minotauros são um show à parte.
Vamos as interpretações: Temos que levar em consideração a idade dos atores principais. São jovens e com muito a aprender ainda. Mas, dos quatro irmãos, o que mais me chama a atenção é Edmundo (Skandar Keynes). Sua atuação é muito segura e se mostrou muito mais preparado para o papel. O príncipe Caspian, (Ben Barnes), teve uma atuação bem convincente, e se assemelha demais fisicamente com Keanu Reeves. De uma maneira geral, ninguém compromete a qualidade do filme.
Com ótimos efeitos, boa história, um elenco razoável e, acima de tudo, muito bem feito, tenho certeza que será um dos bons filmes para ser apreciado no cinema esse ano. Sim, digo cinema, pois, o som é arte fundamental para todo o contexto, e essa dimensão harmônica, apenas uma sala equipada com uma boa tecnologia sonora pode propiciar uma ambientação perfeita para a ocasião. Fica ai a dica. Vale a pena conferir.

Ficha técnica
As Crônicas de Nárnia: Príncipe Cáspian
The Chronicles of Narnia: Prince Caspian
EUA, 2008 - 124 min
Aventura
Direção: Andrew Adamson
Roteiro: Andrew Adamson, Christopher Markus, Stephen McFeely
Elenco: Ben Barnes, Georgie Henley, Skandar Keynes, William Moseley, Anna Popplewell, Sergio Castellitto