Quando a Video Games Live veio a primeira vez pro Brasil, eu me lembro que li uma reportagem num site grande que, em resumo, dizia o seguinte: “Brasileiros não sabem apreciar uma orquestra. Eles aplaudem antes mesmo da música acabar, gritam quando aparece a cena de um jogo que gostam e tentam acompanhar a música de tetris com aplausos. Patético.” Bom, eu queria ver o repórter que fez essa reportagem no show da VGL de Brasília que foi nesse dia 28 onde o próprio Tommy Tallarico disse o seguinte, em livre tradução: “Vocês da platéia quando tiverem vontade de gritar, aplaudir, pular, ou seja lá o que for fazer, façam. Porque nós aqui de cima nos alimentamos disso!”.
O show está de volta e para aqueles que acham que vão ter mais do mesmo, eu digo que não! Esse ano para Brasília trouxeram novas músicas, novas atrações e todo o mesmo charme do Jack Wall e o carisma do Tommy Tallarico. O que tem do mesmo são as músicas dos arcades antigo, Sonic, Mario, Zelda e claro, Final Fantasy VII. Na minha opinião, se retirá-las vão fazer muita falta porque esses são clássicos que sempre vão pedir. Nesse ano, eles retrouxeram God of War tendo em vista que estava na primeira apresentação da VGL em São Paulo. Em compensação eu não me lembrava como o tema de Kratos e sua saga poderiam ser impressionantes. Juro que tive que me segurar na cadeira para aguentar o coral fazendo as paredes do Centro de Convenções Ulysses Guimarães tremerem. 
E as novidades vieram junto com os games novos! Pra começar, tendo em vista que é um evento não só para aqueles que curtem videogames mas todos que curtem música, eles trouxeram a trilha sonora do jogo de Harry Potter. Para esquentar ainda mais o clima de atrações, Jack Wall tocou as músicas que ele mesmo fez para o jogo Mass Efect. As novidades não param por aí. Eis que Tommy anuncia que ia tocar a trilha sonora de um jogo alemão que foi lançado esse ano chamado Crysis. Para quem não sabe é o jogo que para rodar com a legítima perfeição precisa ter um computador da Nasa pra cima. Tá, nem tanto, mas os gráficos dele são tão perfeitos que deu até lag no telão. Para finalizar o primeiro ato, nada de Liberi Fatali. E sim Metroid. Eu não sei o que dizer sobre essa parte da orquestra. Apenas que se você é fã de Metroid, tem que ir na Video Games Live desse ano.
Para início do segundo ato, vem a mais nova atração. No evento agora há um concurso de Guitar Hero onde o vencedor irá tocar uma música no telão com o Tommy Tallarico fazendo a guitarra do jogo. Ao que o Tommy chamou o campeão do evento aqui em Brasília, todos começaram a aplaudir e se perguntar: cadê essa pessoa? Eis que surge no canto do palco um vulto bem pequeno acompanhado de uma mulher. O vencedor do concurso de Brasília foi nada menos que Rafael Chavez com apenas nove anos de idade. E não se abalou para tocar em público uma música do jogo Guitar Hero: Aerosmith, no qual ele nunca havia jogado. O pequeno Rafael, com muita desenvoltura, conseguiu fechar o jogo com a pontuação que o Tallarico pediu levando assim um prêmio pra casa e o reconhecimento de uma platéia inteira.
O final do evento não dá tempo nem de respirar. Começando com Halo, Tallarico entra com a guitarra e faz todo o solo da trilha sonora do jogo. Depois, vai para Halo 3 com um vídeo belíssimo e mais solo de guitarra! Para zoar com a Square e ainda fazer uma homenagem aos fãs, eles tocaram One Winged Angel com uma montagem de fan art do jogo. E o fim chega com Castlevania onde as músicas clássicas do jogo são tocada pela orquestra, guitarra e o teclado com som de órgão.
Mas a triste notícia vem para os fãs de Martin Leung, conhecido como Video Game Pianist. Ele não está na orquestra este ano. Mas em compensação a VGL trouxe o Michael “Piano Squall” Gluck! Ele toca músicas de videogames e animes em perfomances pelo mundo todo. Seu diferencial é que parte do dinheiro que ele arrecada com as perfomances e a venda do seu mais novo cd GAME, que está a venda na VGL ou no seu site dele (http://www.michaelgluck.com/album.php), é repassada para centros de caridade. Apesar de não ter tocado Mario vendado, Michael trouxe o tema da Terra de FFVI, da Yuna de FFX, Chrono Cross, Tetris e claro, Mario! Muito sorridente e simpático, ele mesmo admitiu que essa é a primeira vez no Brasil e que estava muito contente em poder tocar aqui. E foi recebido com muitos gritos e aplausos de pé em suas melhores perfomances.
É lastimável saber que nem todas as cidades do Brasil podem receber a VGL. É um privilégio para poucos que conseguem ter o dinheiro do ingresso e morar perto para poder ir ao show. Foi ótima a iniciativa deles onde todos os menores de 21 anos pagam meia mesmo sem ser estudantes aumentando assim o acesso. Mas aqueles que tiverem condições de ir, não percam esse evento por nada! Por mais que eles prometam que voltem ano que vem, nunca se sabe o dia do amanhã! Né paulistanos?
Fique agora com o vídeo do Rafael Chavez, tocando Sweet Emotion do Aerosmith.
Rafael Chavez tocando Guitar Hero na VGL.