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O Sonho acabou.

por Michele Pandini

Esse mês a Conrad está lançando a última edição de colecionador de Sandman: “Sandman. Despertar”. A história acompanha o desfecho do confronto entre o Mestre dos Sonhos e as três “Bondosas”, além de mostrar a trajetória do filho de Morpheus pelo Sonhar e um cortejo fúnebre capaz de abalar o firmamento.

Para quem não conhece, Sandman é a coleção em quadrinhos do autor Neil Gaiman, que recentemente visitou o Festival de Literatura Internacional de Parati. A série trata da trajetória de Morpheus, mais conhecido como Sonho, um dos sete Perpétuos: Destino, Morte, Sonho, Destruição, Desespero, Desejo e Delírio. No primeiro volume, “Fábulas e Reflexões”, Sonho está em busca de seus pertences roubados após ter passado 70 anos enclausurado por uma sociedade secreta.

Sandman é uma HQ diferente. Por exemplo, ela tem um fim. E após sete anos de publicação, chegou a hora. Mas a trajetória até esse final é fantástica. Gaiman soube criar uma saga coerente do primeiro ao último quadrinho, com personagens recorrentes e atos cujas consequências só serão sentidas vários volumes depois. A narrativa também é diferente do que estamos acostumados a ver em quadrinhos: Sandman não é um herói ou vilão, é apenas um dos Perpétuos realizando seu trabalho. Ao menos, tentando. Não há grandes cenas de ação ou tentativas para salvar o mundo. A luta mais marcante da série é um duelo de palavras. Sonho e seus irmãos são personagens bem caracterizados e possuem personalidades marcantes, em parte pelo fato de cada um trazer contradições do que realmente são. Por exemplo, Morte é uma jovem de aparência gótica cheia de vida e esperança, transmitindo a todos que a encontram paz e tranquilidade nesse momento da vida. E cuida de dois peixinhos dourados. Sonho, por sua vez, é um homem sombrio e de aparência triste, temido por todos, que aprecia a companhia de corvos.

E em vários momentos da HQ somos surpreendidos por histórias bonitas que parecem terem saído de uma coletânea de contos. Nem sempre os poderosos Perpétuos são os protagonistas, como podemos verificar nas sagas “Um Jogo de Você” ou “Fim dos Tempos”. E sim, Neil Gaiman ADORA citar livros, filmes e músicas em seus contos nos personagens. Uma das mais famosas dessas citações é a música “Dream a Little Dream of Me” que, vira e meche, aparece nas cenas como um pequeno brinde para o leitor atento.

Sandman é uma leitura única e não deixa nada a dever a muita obra literária. Com o fim dessa saga, espero que os leitores que não puderam acompanhar a publicação original nos anos 90 possam ter acesso a uma das melhores HQs já lançadas. O preço é um pouco salgado, R$ 69,90 no site da Conrad. Mas vale cada centavo. Eu mesmo não me preocupo o quanto gastei nessa saga e rezo pro meu namoro continuar dando certo, ou teremos que levar a coleção de Sandman para Justiça para ver quem fica com qual edição! Caso te conquiste, leia o resto da obra. E peça ao Senhor Homem de Areia que ele traga para ti um sonho, e que faça dele o mais belo que você já viu…

Em outra nota, peço perdão pela falta de post essa semana. Eu tinha esquecido de colocar os posts para serem publicados durante a semana, e o único que lembrei foi esse de Sandman. Que não sei porque raios não foi publicado! Mas amanhã vocês saberão o motivo da minha sumida! Até pessoal!

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