Rainha do Crime, Duquesa da Maldade |
por Paulo Rezzutti
“E dos lábios do morto desprendia-se um cheiro de amêndoas amargas” Será que só eu me peguei pensando como diabos seria esse cheiro ao ler algum livro ou conto escrito por Agatha Christie? “Amêndoas doces” até vai, mas que cheiro será que têm as tais amêndoas amargas?
Esse odor, característico do cianureto, veneno top 3 da escritora - disputando ranking com a estricnina e o arsênico -, é só um dos diversos ardis utilizados pela Dama do Crime.
Ninguém que leu alguns de seus romances passou incólume pelo seu mundo. Dizem que ela escrevia repousando em uma banheira, enquanto comia maçãs, fruta encontrada facilmente em seus romances. Ainda no ramo das guloseimas temos também a lembrança do famoso bolo de cominho, um dos pratos presentes no chá da tarde servido pelo Hotel Bertran (também publicado no Brasil com o título de A Mulher Diabólica), e pelo Pudim de Natal, uma sobremesa tipicamente inglesa. Além desses acepipes, temos o dia-a-dia e as preocupações que ela deixava transparecer em seus romances, como as taxas e impostos sobre heranças. Em alguns contos, os garotos de cabelos compridos que cantam (Os Beatles) também são comentados, muito por alto, geralmente por alguma velhinha que vê com certa antipatia os modernismos da sociedade britânica.
Seus mais famosos detetives, Hercule Poirot e Miss Marple, já eram velhos - e, no caso de Poirot, aposentado - quando ela os colocou como personagens em seus romances, nos anos 20. Quase cinquenta anos depois, eles ainda estavam ativos e investigando assassinatos, o que os faria ter bem mais que cem anos de idade. Mas, incongruências à parte, é impossível não se deixar levar pelos seus enredos e praticamente devorar seus livros até que o verdadeiro culpado esteja preso, ou que, de alguma forma, a justiça tenha sido feita.
Quer seja as “pequenas celulazinhas cinzentas” de Poirot, a certeza de Miss Marple que o Mal existe e é praticamente palpável, a busca por aventuras do casal de detetives Tuppence e Tommy, a maneira que Parker Pyne dá um jeitinho na vida das pessoas, é muito improvável que você deteste completamente seus livros. Porém, para o iniciante tomar gosto pela autora, creio que começar por seus livros de contos é o melhor. Neles, o leitor de primeira viagem começa a tomar contato com o mundo de crime e mistério de Agatha Christie. Os contos, curtos e gostosos de ler, apresentam ao leitor não apenas os detetives acima mencionados, mas muito outros, na maioria desconhecidos, mas nem por isso menos competentes em descobrir o culpado.
Como dica de leitura, sugiro começar pelos livros: ”A Aventura do Pudim de Natal” e “Um acidente e outras histórias”.
Paulo Marcelo Rezzutti
www.bazardaspalavras.com.br




















Outubro 7th, 2008 às 9:31
Outubro 7th, 2008 às 9:34
bjo
Outubro 7th, 2008 às 12:06
A Casa Torta: O Mundo de Agatha Christie
http://acasatorta.wordpress.com
Cinema é Magia
http://cinemagia.wordpress.com
Um abraço.
Outubro 7th, 2008 às 15:23
Sempre quis ler os contos da Agatha, mas sou muito medrosa e quando o assunto é livro, consigo imaginar com tal vivacidade que eu realmente perco o sono! >_<
Outubro 8th, 2008 às 1:59
Sou fã dos livros que ela escreveu e possuo alguns livros dela. Achei muito legal a maneira como você retratou os principais personagens dela (até Parker Pyne, que mesmo não aparecendo em muitos livros tem um jeito marcante).
Realmente os livros de contos dela maravilhosos! Tem muitas estórias que pra mim poderiam se transformar em livros se fossem mais exploradas.
Ah, e Vampira: não fique com medo dos livros da Agatha! As mortes dificilmente são violentas (ela mesma tinha horror a sangue) e a autora escreve de uma maneira tão elegante e prazerosa que o único sentimento que você pode ter é a satisfação de uma boa leitura.
E sobre contos eu indico também: Poirot Investiga. Tem estórias muito legais!