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[Na Fila] Maior, mais épico e mais fantasioso, mas Hellboy 2 deixa a sensação de faltar algo

por Dimitri Robles

Existem alguns filmes que nascem para se tornarem verdadeiros épicos, e mesmo tendo que enfrentar o rótulo de “mais um filme baseado em HQ” que tanto inundam os cinemas na atualidade, o primeiro Hellboy foi além e fez bonito. Mostrou ao mundo um personagem único e carismático capaz de conquistar a audiência. Além disso, provou toda a visão do diretor Guilhermo Del Toro quando o assunto é criar histórias e criaturas fantásticas, como já comprovado anteriormente em Labirinto do Fauno.

 

Se Hellboy não ensinou ao cinema como se fazer uma adaptação que se iguale ao seu original, e talvez até o supere com a capacidade de ser universal, Hellboy 2: O Exército Dourado, que chega hoje aos cinemas até tenta se manter a altura, mas infelizmente, não consegue.

 

O elenco quase completo está de volta. Ron Pearlman volta ao papel do vermelhão que mesmo por baixo de maquiagem e efeitos pesados para viver o personagem, não deixa o carisma e no fundo, jeito de criança do demônio se perder. Já o amigo de Hellboy, Abe Sapien, é agora interpretado pelo competente Doug Jones, que além de fazer um trabalho magistral de gesticulação e mímica para representar Abe, ainda assume mais dois papeis e faz ainda mais pelas pequenas aparições de Chamberlain e o bizarro e fantástico Anjo da Morte. E como salvar o mundo não tem graça se você não tiver uma bela donzela te esperando para dividir a conquista, Selma Blair assume novamente o papel de Liz, agora namorada de Hellboy. O relacionamento de ambos rende uma boa seqüência de como seria um namoro de super-heróis de verdade, com muita destruição a cada briga do casal.

 

Se o elenco acertado do primeiro longa está de volta, a história não poderia deixar por menos, e de fato não deixa. A trama se passa novamente no mundo que mistura o fantasioso com a realidade quando o príncipe dos elfos, Príncipe Nuada (Luke Goss) decide que não aceitaria mais viver no sub-mundo do universo para manter a trégua entre as criaturas mágicas e os humanos. Para tal feito, ele precisaria dominar o tal exército dourado do título, que são 70 vezes 70 guerreiros indestrutíveis e controlados por uma coroa que foi sabiamente dividida em 3 partes pelo rei, pai de Nuada, para evitar que qualquer uma das raças tentasse dominar o exército invencível. Hellboy entra na ação, óbvio, tentando impedir que Nuada conquiste a coroa e dizime toda a raça humana com apenas um comando.

 

Os efeitos especiais são de cair o queixo e como no primeiro filme, mesclam tão bem a ação que é difícil distinguir quando são os atores de verdade e quando entram em cena os CGIs, o que tornam a suavidade entre uma cena e outra totalmente um ponto positivo para a produção.

 

Os personagens embasbacantes estão presentes aos montes, mostrando que a capacidade de Del Toro de criar coisas nunca antes vista deixa George Lucas e seus diversos planetas e raças de Star Wars muito pra trás em criatividade e originalidade. 

 

Criticar um filme como Hellboy 2 mostram o quanto a tarefa de crítico pode ser cruel. O filme não chega nem perto de ser ruim, porém, mostra algo que talvez não fosse o que os fãs esperavam ao assistir a primeira parte e nascimento do personagem na grande tela. Tudo no longa é grande, épico, fantasioso e exageradamente numeroso. Talvez o personagem por si só não precisasse de tanto para repetir o feito de arrebatar a platéia novamente. O que é visto é um “mais do mesmo” exagerado. Apesar de prender a atenção e agradar em todos os sentidos possíveis, não é muito difícil sair do cinema com a sensação de faltar algo ou simplesmente sentindo que mesmo que não saibamos explicar exatamente o porquê, existe algo errado no meio de uma trama tão bacana e efeitos especiais de tirar o chapéu.

 

Talvez um fator definitivo para o sucesso ou não de Hellboy 2: O Exército Dourado não esteja na produção, e sim em quem a assiste, residindo especificamente em uma questão: a alta expectativa. Quando veio ao mundo em 2004, Hellboy era um desconhecido do público e da noite para o dia, se tornou um clássico dos filmes de heróis e arrebatou multidões clamando por uma continuação. Assim sendo, diferente dos mega conhecidos Homem Aranha ou Batman, ninguém na época possuía qualquer noção do que esperar do lançamento dele, ou sequer o aguardar com ansiedade sua estréia. Já nessa continuação, as apostas eram altas e o desejo do público de que o filme superasse o original eram altíssimos, e isso acaba tornando não um filme ruim ou sequer médio, apenas abaixo do esperado.

 

Hellboy 2: O Exército Dourado é um filme mais do que recomendado e empolga do começo ao fim, mas nós da e-Zone recomendamos que você o curta com os olhos de alguém que considera que o personagem fosse um total desconhecido e sua história começasse exatamente ali. Ai sim, você terá a capacidade de desfrutar da obra de arte criativa e envolvente que Mike Mignola e Guilhermo Del Toro foram capazes de entregar com louvor.

Para mais informaçõe sobre o filme, acesse a ficha completa no portal e-Zone

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